O debate sobre a revitalização do Centro Histórico de Campos volta e meia retorna à pauta. E não é para menos. O Centro, que durante décadas foi um dos principais polos comerciais e empresariais da cidade, perdeu parte do protagonismo com a mudança nos hábitos de consumo, o crescimento de novos polos comerciais e a transformação na forma de vender e comprar.
Mas recuperar essa região exige mais do que obras, iluminação ou ações pontuais para aumentar o movimento. É preciso olhar para um problema que muitas vezes fica em segundo plano: a situação dos imóveis do Centro.
Uma revitalização séria deveria começar por um diagnóstico completo. Quantos imóveis estão fechados ou abandonados? Quem são seus proprietários? Existem débitos com o município? Há imóveis que acumulam anos de inadimplência? Quais deles poderiam ser ocupados novamente?
Se existem imóveis nessa situação, o município precisa fiscalizar.
Não se trata de perseguir proprietários ou simplesmente tomar patrimônio privado. Trata-se de aplicar a legislação e garantir que a propriedade cumpra sua função social.
O poder público precisa levantar essas informações, identificar eventuais débitos, cobrar os responsáveis e avaliar, dentro da legislação, quais medidas podem ser adotadas em relação aos imóveis que permanecem abandonados ou sem utilização.
Não faz sentido discutir a revitalização do Centro ignorando justamente os espaços que poderiam ajudar a transformá-lo.
O Centro pode e precisa ser um lugar para morar. Prédios e imóveis subutilizados podem, quando tecnicamente viável, ser transformados em residências, trazendo moradores, consumo e movimento para uma região que hoje sofre justamente com a falta de circulação em determinados horários.
Empresários precisam se adaptar aos novos tempos, proprietários precisam assumir suas responsabilidades e o poder público precisa fazer a sua parte.
Mas, antes de anunciar mais uma grande promessa de revitalização, Campos precisa responder algumas perguntas básicas.
Quantos imóveis estão abandonados? Quanto se deve ao município? Quem deve? E o que a Prefeitura está fazendo para cobrar?
Talvez a verdadeira revitalização comece justamente aí. Porque o Centro não precisa apenas de uma nova aparência. Precisa voltar a ter função, comércio com estrutura e vida.





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