A discussão sobre a redistribuição dos royalties do petróleo, que será analisada pelo Supremo Tribunal Federal, tem sido tratada de forma superficial por parte do debate público. Reduzir esse tema a uma disputa entre cidades produtoras e não produtoras é ignorar o tamanho real do problema.
O que está em jogo não é apenas o orçamento de alguns municípios. É a capacidade de funcionamento de todo o estado do Rio de Janeiro.
Quando o estado arrecada menos, todos perdem. Perde a saúde, perde a educação, perde a segurança pública, perde a infraestrutura. Perdem, principalmente, os cidadãos que dependem desses serviços no dia a dia, estejam eles em cidades que recebem royalties ou não.
Ainda assim, o que se vê nas redes sociais é um debate contaminado por paixões políticas e, em alguns casos, por um sentimento perigoso de que a perda de recursos públicos poderia ser uma espécie de “punição” para a classe política.
Em uma publicação do Manchete RJ, comentários como “Só assim vão deixar de roubar” e “Levando em consideração que todos governadores de direita do Rio estão ou foram presos, ou afastados, o melhor é o Rio ficar sem dinheiro. Tendo em vista que o dinheiro foi não gasto” escancaram esse pensamento.
É compreensível que exista indignação. O histórico político do estado do Rio de Janeiro não permite ingenuidade. Mas é justamente por isso que o debate precisa ser mais responsável.
Se alguém rouba, precisa ser punido. Pela Justiça e pelo povo. O voto continua sendo a maior ferramenta de mudança. O que não faz sentido é defender uma medida que, na prática, penaliza toda a população.
Retirar recursos do estado não atinge apenas governantes. Atinge hospitais, escolas, programas sociais, policiamento, obras. Atinge quem está na ponta.
Não é hora de lado A ou lado B. Não é hora de bandeiras ideológicas.
É hora de entender o que está, de fato, em jogo.
E o que está em jogo é o futuro do estado do Rio de Janeiro. É o futuro dos 92 municípios. É o futuro de todos nós.





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